Ações contínuas da Proext/Ufam visibilizam o debate sobre doenças crônicas no Fevereiro Roxo
Iniciativas extensionistas ampliam o acesso à informação e ao cuidado diante de doenças que já afetam mais de 1 milhão de brasileiros e brasileiras
Fevereiro Roxo é uma campanha nacional de conscientização voltada para a conscientização sobre doenças crônicas, como Alzheimer, Lúpus e Fibromialgia, que demandam acompanhamento clínico contínuo, educação em saúde e uma rede de apoio eficaz para melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares. A iniciativa busca ampliar o conhecimento público sobre sinais e sintomas, reduzir o estigma associado a essas enfermidades e reforçar a importância da informação no cuidado integral em saúde.
Na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a informação em saúde é promovida de forma contínua por meio da Pró-Reitoria de Extensão (Proext), que articula, apoia e fomenta ações voltadas à promoção da saúde, prevenção de doenças e educação comunitária.
A estrutura de apoio da Proext proporciona oportunidades para que docentes, estudantes e técnicos desenvolvam iniciativas que dialoga com os princípios dessa campanha, conectando saberes acadêmicos à realidade da população amazonense. Um exemplo desse esforço foi o Circuito Amazônico de Extensão, evento que reuniu diversas ações no último mês de novembro, dentre elas, na área das Ciências da Saúde, voltada à promoção da saúde, prevenção e atenção comunitária, o que reflete o compromisso institucional em aproximar ciência e sociedade nas práticas de cuidado e educação em saúde.
Outra iniciativa de grande relevância é o AfirmaSUS, desenvolvido pelo Ministério da Saúde (MS) em conjunto com o Ministério da Educação (MEC), conduzido pela Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTESO). O programa tem possibilitado a permanência de estudantes pertencentes a grupos socialmente vulnerabilizados (pessoas negras, indígenas, quilombolas, ciganos, pessoas trans, com deficiência, migrantes e refugiadas).
Estão em curso três projetos com duração de 24 meses, construídos no diálogo do Departamento de Políticas Afirmativas da Pró-Reitoria de Extensão (DPA/Proext), e equipes dos campi de Manaus, Coari e Parintins.
Para a Diretora do DPA, Danielle Gonzaga, o programa tem um papel crucial na promoção do protagonismo das pessoas que fazem parte do grupo que integra as ações afirmativas, especialmente discentes da Ufam que estudam nos campi do interior do Amazonas.
“Os três projetos do AfirmaSUS são de fundamental importância e acontecem pelo belíssimo trabalho executado pelas professoras Hellen Bastos, em Manaus, Fernanda, em Parintins, e Túlio Silva, em Coari, que conhecem as realidades e desafios territoriais, modificando o status hegemônico de cursos da área de Saúde. Dessa maneira, diversidade, cultura e equidade passam a ocupar outro lugar na perspectiva acadêmica”, explicou.
A aluna do curso de Enfermagem do Instituto de Saúde e Biotecnologia da Ufam (ISB/Coari), Angela Carvalho, bolsista do AfirmaSUS, destaca como o programa tem sido importante em sua trajetória acadêmica.

Angela falou sobre o impacto social do AfirmaSUS na vida dos estudantes universitários no interior, onde a jornada acadêmica é atravessada por diversos desafios.
“Minha trajetória como estudante amazônica, filha do interior, formada integralmente em escola pública e hoje inserida em uma universidade Federal, é atravessada por desafios estruturais. Nesse sentido, busco também estimular a participação de estudantes que se identificam, compreendendo que saúde no SUS não se limita à assistência, mas envolve território, comunicação, dignidade e reconhecimento. Vivenciar este programa possibilita valorizar a diversidade como princípio fundamental, reconhecendo que a pluralidade de perspectivas e vivências qualifica as ações desenvolvidas, fortalece os vínculos acadêmicos e amplia o impacto social e transformador do projeto”, relatou.
Outras iniciativas
Além disso, ações interdisciplinares como o projeto “Entre Redes e Rios: Saúde Digital e Formação Interprofissional para o Cuidado Integral na Amazônia”, desenvolvido pela Faculdade de Odontologia da Ufam (FAO), demonstram a atuação inovadora da universidade em temas que tangenciam diretamente o cuidado com condições crônicas e o fortalecimento da atenção primária.
Selecionado nacionalmente, no PET-Saúde Digital 2025, uma ação integrada da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (Proeg) da Ufam em parceria com os Ministérios da Saúde e da Educação, capacita estudantes de diversas áreas profissionais para promover a transformação digital na atenção à saúde, com foco na inclusão e equidade no acesso aos serviços de saúde.
Também na FAO, o projeto “Saúde, Bem-estar e Espiritualidade” desenvolve atividades contínuas voltadas ao fortalecimento da saúde mental, do bem-estar e do suporte psicossocial, temas que estão intimamente relacionados ao enfrentamento de doenças crônicas e à construção de redes de cuidado efetivas, especialmente em contextos de vulnerabilidade.
Outro campo de atuação relevante é a telessaúde: por meio do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam) foi lançado recentemente o Núcleo de Telessaúde e o projeto Telessaúde Indígena, com ações de teleassistência, teleconsultas e teleducação, dirigidas a municípios e comunidades indígenas no Amazonas.
A iniciativa amplia o acesso a especialidades médicas e promove educação em saúde para profissionais que atuam em contextos remotos, um exemplo concreto de como a extensão e os serviços universitários contribuem para enfrentar desafios de cuidado em saúde, incluindo condições crônicas que exigem acompanhamento contínuo.
Essas ações demonstram atuação integrada para promover a educação em saúde, a prevenção de doenças e o fortalecimento de habilidades que favorecem o cuidado contínuo da população.Sendo fundamental tanto a resposta aos problemas comunitários, quanto a formação de profissionais de nível superior por meio da extensão universitária.
Contexto brasileiro
Dados epidemiológicos reforçam a relevância da campanha Fevereiro Roxo no contexto da saúde pública. De acordo com o Ministério da Saúde e estudos reunidos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Alzheimer e outras demências afetam atualmente cerca de 1,2 milhão de pessoas no Brasil, com projeção de crescimento acelerado em função do envelhecimento populacional.
Pesquisas publicadas na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde, da Fiocruz, indicam que a prevalência da doença aumenta de forma significativa a partir dos 65 anos e pode ultrapassar 4% entre pessoas com mais de 80 anos. No Amazonas, embora não haja um sistema estadual consolidado de notificação, estudos acadêmicos desenvolvidos na Ufam apontam que o Alzheimer é o diagnóstico mais frequente entre pacientes atendidos em serviços especializados em transtornos cognitivos no estado.
No caso da Fibromialgia, dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia indicam que a síndrome atinge aproximadamente 2% da população brasileira, com predominância entre mulheres, que representam cerca de 90% dos casos diagnosticados. A entidade destaca que a doença é uma das principais causas de dor crônica difusa e afastamento das atividades laborais, impactando diretamente a qualidade de vida e a saúde mental das pessoas afetadas. Estudos nacionais publicados na Revista Brasileira de Reumatologia reforçam que a Fibromialgia permanece subdiagnosticada, especialmente nas regiões Norte e Nordeste do país.
Já o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é classificado pelo Ministério da Saúde como uma doença autoimune crônica rara, mas de alto impacto social. Estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia apontam que cerca de 65 mil pessoas vivem com Lúpus no Brasil, sendo aproximadamente 90% mulheres, em sua maioria em idade reprodutiva. Embora os dados específicos por estado sejam limitados, especialistas alertam que fatores socioeconômicos e dificuldades de acesso a serviços especializados podem agravar o curso da doença em regiões como a Amazônia.
Ao evidenciar esses dados, o Fevereiro Roxo contribui para ampliar a difusão de informação qualificada em saúde, do diagnóstico precoce e do fortalecimento de redes de cuidado. Na Ufam, a Proext tem contribuído para ampliar o debate público sobre doenças crônicas, ao apoiar projetos voltados à promoção da saúde e à aproximação entre a universidade e a sociedade amazonense.
Para saber mais, acesse:
Tendência de mortalidade por doença de Alzheimer no Brasil – artigo publicado na Epidemiologia e Serviços de Saúde que analisa dados por faixa etária, mostrando aumento da prevalência/mortalidade em idades mais avançadas (inclusive nas faixas acima de 65 e 80 anos), o que sustenta a afirmação sobre crescimento da condição com o envelhecimento: https://www.scielo.br/j/ress/a/YHmSWbJdNs49FqDz459gzbd/?lang=pt
Perfil clínico-epidemiológico de pacientes com transtorno cognitivo maior no Amazonas: um estudo transversal – dissertação (Ufam, 2023) que descreve o diagnóstico predominante de Alzheimer entre pacientes atendidos em serviço especializado em Manaus/AM:
https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/9607
“A prevalência de fibromialgia: atualização da revisão de literatura” – revisão publicada na Revista Brasileira de Reumatologia, com estimativas de prevalência da fibromialgia no Brasil e discussão de dados epidemiológicos nacionais: https://www.scielo.br/j/rbr/a/cTj6DDGF8gGhMHHNksTMYjR/?lang=pt