Ufam recebe o ministro da Educação para agenda institucional e anúncio de investimentos federais
Pela primeira vez na Universidade, o representante do governo Federal fala sobre reestruturação da educação superior com investimentos e políticas afirmativas
O ministro da Educação, Camilo Santana, visitou na semana passada, pela primeira vez, a Universidade Federal do Amazonas. Além de inspecionar obras de expansão que foram retomadas, reunir-se com gestores da Instituição, lideranças estudantis e representantes de movimentos indígenas, falou também sobre o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), programa do governo federal, pelo qual será construído o novo campus da Ufam, em São Gabriel da Cachoeira. Localizado a 860 quilômetros em linha reta de Manaus, o município abarca 27 etnias, sendo considerado a cidade mais indígena do País.
A comitiva do ministro chegou à Ufam no fim da tarde. Acompanhado do secretário de Educação Superior (Sesu), Marcus Vinicius David, secretária de Educação Básica (SEB), Katia Schweickardt e secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), Zara Figueiredo, Camilo Santana concedeu coletiva à imprensa. Na pauta, discurso alinhado com ações afirmativas e o fortalecimento das universidades como espaços de produção de conhecimento e também de representação identitária, considerando especificidades culturais e regionais.
Camilo Santana destacou que o governo federal autorizou de 9.600 novas contratações para universidades federais e informou que já foi aprovado na Câmara dos Deputados, o projeto que cria mais 25 mil cargos de docentes e técnico-administrativos, atualmente em tramitação no Senado. "O Estado tem a responsabilidade de garantir apoio financeiro para que esses alunos possam continuar seus estudos. Queremos universalizar o acesso ao auxílio estudantil para que nenhum estudante, incluindo os indígenas e os quilombolas, fiquem sem apoio. Isso não é favor, é obrigação do Estado brasileiro”, frisou.
Nessa perspectiva, o ministro foi enfático: “A Ufam é patrimônio do estado do Amazonas e do País e como universidade, é o ambiente onde a pesquisa da região acontece. A universidade na Amazônia tem um desafio singular: dialogar com a floresta, com as comunidades, com o patrimônio humano que existe aqui e estamos trabalhando para permitir esse legado", disse.
A reitora da Ufam, professora Tanara Lauschner, destacou que a visita se dá em um momento estratégico. “É a primeira vez que recebemos o ministro nesse contexto de consolidação do campus de São Gabriel da Cachoeira. Estamos a um passo de transformar esse projeto em realidade concreta”, afirmou.
Tanara detalhou que já foram assegurados R$ 50 milhões para a construção do prédio do novo campus, cuja obra já foi licitada e deve iniciar em breve, além da previsão de R$ 10 milhões para equipamentos. Também estão previstas 40 vagas para docentes e novas vagas para técnicos administrativos. “É um campus que se instala no Alto Rio Negro com a responsabilidade de dialogar com uma região profundamente marcada pela presença indígena”, reforçou.
Na sequência, a pró-reitora de Extensão, professora Flávia Melo da Cunha, destacou o esforço institucional, especialmente por meio das políticas afirmativas, para que o novo campus seja construído com participação efetiva das comunidades. “Estamos todos animados e empenhados diante desse projeto que para a nossa gestão tem absoluta prioridade.
A Pró-reitoria de Extensão tem feito a mediação com a comunidade do Rio Negro, com o movimento indígena e com as organizações políticas locais para garantir que não apenas a construção física aconteça com brevidade, mas que o processo seja dialogado com as necessidades e especificidades regionais”, afirmou.
Ela acrescentou que o desafio vai além da infraestrutura. “Falamos também de um campus imaterial. Não apenas prédios, mas um espaço de conhecimentos, troca e aprendizado construído a partir da participação indígena. Hoje estamos com o ministro, amanhã estaremos reunindo a comunidade do Rio Negro para avançar nas diretrizes que vão desenhar os cursos e garantir a efetiva inserção das comunidades indígenas na universidade”, antecipou.

Articulação indígena
Dentro do cronograma da visita do ministro e sua equipe, estava um encontro com representantes de movimentos indígenas. Em reunião que teve mais características de recepção, realizada na Faculdade de Tecnologia, representantes de movimentos indígenas como Cafpi, Meiam e Colind receberam os gestores e gestoras do MEC com celebração.
A agenda seguiu com a exposição de demandas devidamente formalizadas. Jaime Diakara, do povo Dessana, doutor em Antropologia e integrante do Meiam, defendeu que a política educacional precisa ser pensada a partir do olhar indígena. “Queremos discutir política e trazer recursos para a universidade com o nosso olhar indígena, não com outro espelho. A presença indígena precisa estar refletida na cultura, no patrimônio. Pedimos que o ministério leia essa carta, troque a lente e veja a universidade a partir da nossa realidade. Precisamos de recursos. Nossa população necessita. Queremos que a universidade pública também seja uma universidade indígena”, afirmou.
Em resposta, o ministro assumiu compromisso público. “Queremos universalizar o acesso ao auxílio estudantil para que nenhum estudante indígena de universidade federal fique sem apoio. Isso não é favor, é obrigação do Estado brasileiro”, frisou.
Políticas Afirmativas como frente estratégica
As demandas por permanência estudantil foram reforçadas pela diretora de Políticas Afirmativas (DPA), professora Danielle Gonzaga de Brito, estrutura que é vinculada à Pró-Reitoria de Extensão (Proext), que apresentou dados de monitoramento sobre bolsas e desempenho acadêmico.
Segundo a diretora, o acompanhamento é sistemático e orientado por indicadores. “Trabalhamos com índices. Monitoramos a entrada, permanência e o desempenho dos estudantes beneficiados por ações afirmativas, especialmente aqueles em maior vulnerabilidade. A partir de julho teremos resultados consolidados que demonstram o impacto dessas políticas e que justificam, por si, um olhar mais dedicado a essas ações”, afirmou.
Durante a visita, o Ministério da Educação reiterou investimento total de R$ 106,5 milhões em obras e ações vinculadas à Ufam, no âmbito do Novo PAC. Entre as intervenções anunciadas estão a retomada da construção do prédio da Faculdade de Letras, com aporte de R$ 7,9 milhões, e da Faculdade de Estudos Sociais (FES), com R$ 7,4 milhões — unidade que integrou a agenda do ministro, com visita ao canteiro de obras.